quarta-feira, janeiro 18, 2006

O polvo segundo Júlio Verne


«Olhei também e não pude conter um movimento de repulsa. Ante meus olhos agitava-se um horrível monstro, digno de figurar nas lendas teratológicas.
Era um polvo de dimensões gigantescas. Teria cerca de oito metros de comprimento e caminhava recuando com incrível velocidade, em direção ao navio, cravando nele os grandes olhos de matiz esverdeado. Seus oito braços, ou melhor, seus oito pés, saindo da cabeça, o que faz com que esses animais sejam chamados cefalópodes, tinham o dobro do tamanho de seu corpo e se agitavam como a cabeleira das Fúrias. Podia-se ver bem as duzentas e cinqüenta ventosas espalhadas na parte interna dos tentáculos, em forma de cápsulas esféricas. Às vezes, tais ventosas se prendiam ao vidro da janela produzindo vácuo. A boca do animal, uma espécie de apêndice córneo parecido com o bico de um papagaio, abria-se e fechava-se verticalmente. A língua, que também era córnea, e com várias fileiras de dentes pontiagudos, saía vibrando como um verdadeiro alicate. Que capricho da natureza! Dar um bico a um molusco! Seu corpo fusiforme e maior em sua parte média formava uma massa de carne, cujo peso deveria ser de vinte a vinte e cinco mil quilos. Sua cor variava muito depressa, segundo o estado de irritação do monstro, indo do cinzento-claro até o marrom-avermelhado.
O que irritara o molusco? Talvez a presença do Nautilus, maior do que ele, e contra o qual de nada valiam seus tentáculos nem suas mandíbulas. Entretanto, a natureza concedeu muita vitalidade a esses polvos gigantes, dotando-lhes de três corações!
De repente, o submarino se deteve. Uma forte batida fê-lo trepidar.»

Júlio Verne, Vinte Mil Léguas Submarinas (excerto)

3 Comments:

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8:08 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

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8:59 da manhã  
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7:33 da manhã  

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